segunda-feira, 31 de maio de 2010
Educadores em Crise
sábado, 29 de maio de 2010
Piaget e a Matemática
“Eu não gosto de matemática porque não consigo aprender. É muito difícil e o professor não consegue explicar.” Qual de nós nunca ouviu ou falou essa frase? Porque sempre encontramos pessoas com dificuldade no ensino e aprendizagem da matemática? Não é fácil responder a essas questões senão voltarmos aos métodos que eram (e ainda são) utilizados para o ensino de matemática, a maior parte dos professores acreditava que os alunos só conseguiriam aprender matemática se fossem expostos a uma quantidade exaustiva de exercícios e levados a memorizar fórmulas e mais fórmulas, defino esse processo de aprender por “osmose”, você mergulha o aluno nos exercícios, soluções de problemas, o leva a recitar fórmulas e assim ele absorverá a disciplina. Esse método era defendido pela maioria dos professores até os anos 60 e aqui no Brasil até meados dos anos
No início ela deve ser estimulada a trabalhar com coleções de objetos, para que possa, através do contato, manipulação, separação por semelhanças e diferenças, receba a noção inicial de comparar quantidades, sem ainda definir o signo numérico em si, aprendendo apenas a definir “mais” ou “menos”, “maior” ou “menor”, “igual” ou “diferente” e “muito” ou “pouco” , essa atividade levará a criança a criar a relação que irá desenvolver nela o conhecimento lógico-matemático. Nesse processo a criança tenderá desenvolver a noção de ordem que, segundo Piaget é nossa necessidade lógica de estabelecer uma organização, mesmo não sendo espacial entre objetos para nos certificar que todos foram contados e que nenhum foi contado mais de uma vez, e inclusão hierárquica, que dá ao indivíduo a percepção de que o número menor está incluído no maior em todos os casos e que o número maior é apenas o número menor acrescido de “+
Para Piaget a criança precisa ser familiarizada desde a tenra idade ao conceito matemático, e se ela viver em um ambiente onde isso for estimulado, com certeza se desenvolverá de maneira saudável, sem traumas e, com o passar do tempo, se relacionará muito bem com a matemática, que está presente em praticamente tudo ao nosso redor.
Reflexão - Professores ou torturadores?
NÓIS MUDEMO"
Mas minha alma estava profundamente amargurada. O encontro daquela tarde, a visão daquele jovem marcado pelo sofrimento, precocemente envelhecido, a crua recordação de um episódio que parecia tão banal... Tentei dormir. Inútil. Meus olhos percorriam a paisagem enluarada, mas ela nada mais era para mim que o pano de fundo de um drama estúpido e trágico.
As aulas tinham começado numa segunda-feira. Escola de periferia, classes heterogêneas, retardatários. Entre eles, uma criança crescida, quase um rapaz.
- Por que você faltou esses dias todos?
- É que nóis mudemo onti, fessora. Nóis veio da fazenda. Risadinhas da turma.
- Não se diz "nóis mudemo", menino! A gente deve dizer: nós mudamos, tá?
-Tá, fessora!
No recreio, as chacotas dos colegas: Oi, nóis mudemo! Até amanhã, nóis mudemo! No dia seguinte, a mesma coisa: risadinhas, cochichos, gozações.
- Pai, não vô mais pra escola!
- Oxente! Módi quê?
Ouvida a história, o pai coçou a cabeça e disse:
- Meu fio, num deixa a escola por uma bobagem dessa! Não liga pras gozações da mininada! Logo eles esquece.
- Não esqueceram.
Na quarta-feira, dei pela falta do menino. Ele não apareceu no resto da semana, nem na segunda-feira seguinte. Aí me dei conta de que eu nem sabia o nome dele. Procurei no diário de classe e soube que se chamava Lúcio - Lúcio Rodrigues Barbosa. Achei o endereço. Longe, um dos últimos casebres do bairro. Fui lá, uma tarde. O rapazola tinha partido no dia anterior para a casa de um tio, no sul do Pará.
- É, professora, meu fio não aguentou as gozação da mininada. Eu tentei fazê ele continua, mas não teve jeito. Ele tava chatiado demais. Bosta de vida! Eu devia di té ficado na fazenda côa famia. Na cidade nóis não tem veis. Nóis fala tudo errado.
Inexperiente, confusa, sem saber o que dizer, engoli em seco e me despedi.
O episódio ocorrera há dezessete anos e tinha caído em total esquecimento, ao menos de minha parte.
Uma tarde, num povoado à beira da Belém-Brasília, eu ia pegar o ônibus, quando alguém me chamou. Olhei e vi, acenando para mim, um rapaz pobremente vestido, magro, com aparência doentia.
- O que é, moço?
- A senhora não se lembra de mim, fessora?
Olhei para ele, dei tratos à bola. Reconstituí num momento meus longos anos de sacerdócio, digo, de magistério. Tudo escuro.
- Não me lembro não, moço. Você me conhece? De onde? Foi meu aluno? Como se chama?
Para tantas perguntas, uma resposta lacônica:
- Eu sou "Nóis mudemo”, lembra?
Comecei a tremer.
- Sim, moço. Agora lembro, Como era mesmo seu nome?
- Lúcio, Lúcio Rodrigues Barbosa.
- O que aconteceu com você?
- - O que aconteceu ? Ah! fessora! É mais fácil dizê o que não aconteceu . Comi o pão que o diabo amasso. E êta diabo bom de padaria! Fui garimpeiro, fui bóia fria, um "gato" me arrecadou e levou num caminhão pruma fazenda no meio da mata. Lá trabaiei como escravo, passei fome, fui baleado quando consegui fugi. Peguei tudo quanto é doença. Até na cadeia já fui para. Nóis ignorante às veis fais coisa sem querê fazé. A escola fais uma farta danada. Eu não devia de té saído daquele jeito, fessora, mas não aguentei as gozação da turma. Eu vi logo que nunca ia consegui fala direito. Ainda hoje não sei.
- Meu Deus!
Aquela revelação me virou pelo avesso. Foi demais para mim. Descontrolada comecei a soluçar convulsivamente. Como eu podia ter sido tão burra e má? E abracei o rapaz, o que restava do rapaz, que me olhava atarantado.
O ônibus buzinou com insistência.
- O rapaz afastou-me de si suavemente.
- Chora não, fessora! A senhora não tem curpa.
- Como? Eu não tenho culpa? Deus do céu!
Entrei no ônibus apinhado. Cem olhos eram cem flechas vingadoras apontadas para mim. O ônibus partiu. Pensei na minha sala de aula. Eu era uma assassina a caminho da guilhotina.
Hoje tenho raiva da gramática. Eu mudo, tu mudas, ele muda, nós mudamos, mudamos, mudaamoos, mudaaamooos... Super usada, mal usada, abusada, ela é uma guilhotina dentro da escola. A gramática faz gato e sapato da língua materna - a língua que a criança aprendeu com seus pais e irmãos e colegas
- e se torna o terror dos alunos. Em vez de estimular e fazer crescer, comunicando, ela reprime e oprime, cobrando centenas de regrinhas estúpidas para aquela idade.
E os lúcios da vida, os milhares de lúcios da periferia e do interior, barrados nas salas de aula: "Não é assim que se diz, menino!" Como se o professor quisesse dizer: "Você está errado! Os seus pais estão errados! Seus irmãos e amigos e vizinhos estão errados! A certa sou eu! Imite-me! Copie-me! Fale como eu ! Você não seja você! Renegue suas raízes! Diminua-se! Desfigure-se! Fique no seu lugar! Seja uma sombra!"
E siga desarmado para o matadouro
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Lúdico e Aprendizagem I
A importância do lúdico na aprendizagem
“Nada melhor para se sonhar que contemplar uma criança a brincar.” Rubem Alves
Através das atividades lúdicas a criança consegue expor o seu mundo interno, pois os jogos e brincadeiras possibilitam a ela o ganho e o prazer e, a partir disso, esta começa a representar, durante as atividades, o que é por dentro, o que vive e, muitas vezes tem dificuldade de expor em palavras.
Um artigo encontrado na internet, denominado Brincadeira é Coisa séria, reporta à importância da brincadeira na vida da criança e como isso possibilita o seu pleno desenvolvimento e socialização:
“Toda criança deveria poder brincar. A brincadeira contribui para o processo de socialização das crianças, oferecendo-lhes oportunidades de realizar atividades coletivas livremente, além de ter efeitos positivos para o processo de aprendizagem e estimular o desenvolvimento de habilidades básicas e aquisição de novos conhecimentos [3].”
Essa citação está em comum acordo com os estudos de diversos autores, principalmente os já citados aqui, Piaget e Vigotsky, além de Wallon que infere da importância dos ambientes físicos e sociais que cercam a vida da criança, incluindo seus familiares.
Para a criança, as brincadeiras, os jogos e demais atividades lúdicas, quando bem aplicadas, servem como excelentes ferramentas de maturação da interatividade social entre pares e como estimuladores dos mecanismos de cognição, além de fazer parte da natureza da criança para aguçar sua curiosidade natural.
