segunda-feira, 18 de abril de 2011

BRASILIDADES A PARTE II - RESPOSTA

Resposta ao texto de Simone Terra:

Concordo, em parte com você, mas pelo seu retorno percebi que você não entendeu o que eu quis expressar. Longe de mim tentar "fazer cabeças" e, tenha certeza que não existe apelo religioso nesse texto, pois nesse ponto penso como Karl Marx "A Religião é o ópio do povo". Você tocou na palavra chave quando utilizou o termo criticidade, mas errou quando fez subenteder que eu busco elogios ao Brasil, eu busco é críticas, porém construtivas, pois não precisamos de mais nada para denegrir a imagem de nosso país, já bastam nossos políticos, e não me venha dizer que eles estão lá porque nós os elegemos, sabemos muito bem que eles estão lá porque não existe "democracia" de verdade no Brasil, existe uma "Ditadura da maioria", infelizmente, uma maioria ignorante (no sentido de falta de conhecimento histórico, social e cultural - enquanto educadores podemos mudar isso) que mesmo contra a opinião dos mais esclarecidos acaba dando poder a esses quadrilheiros que lá estão.

Pare e pense se vai melhorar alguma coisa no Brasil dizer que a Noruega ou os EUA são melhores do que o Brasil, e você está equivocada, me desculpe a franqueza (você me chamou de pretensioso), quando diz que as novelas não desenvolvem consciência crítica, talvez não em mim e em você, mas na maioria do povo Brasileiro desenvolve sim, senão a Globo e demais emissoras não investiriam mais da metade dos seus recursos na produção desses "folhetins", hoje financiados pela Natura, Arno, Walita, Avon e etc, sem contar as ideologias que são plantadas nas mentes fracas (ou será que a ditadura militar tinha tanto medo das novelas à tôa), reveja seus conceitos, ainda mais você sendo jornalista e educadora, aliás duas das categorias que mais sofreram com a mordaça da ditadura, que também disseminava sua ideologia, e nós éramos os "perigosos" subversivos - Wladimir Herzog - é um exemplo.

Quanto a influência das novelas nas atitudes do povo, faça uma comparação dos eventos históricos e algumas novelas no Brasil, tais como:

O SALVADOR DA PÁTRIA 1989 - ELEIÇÃO DE FERNANDO COLLOR (QUE PASSAVA A IDÉIA DE QUE O LULA -SASSÁ MUTEMA - ERA APENAS UM MANIPULADO)
QUE REI SOU EU? - 1989
SENHORA DO DESTINO (REPRISADA POUCO ANTES DAS ELEIÇÕES - DILMA ROUSSEF)
TI-TI-TI E VÁRIAS OUTRAS COM APELO AO CASAMENTO GAY - PLC 122 (PARADO NO SENADO POR PRESSÃO POPULAR)

Continue vendo sua novela, não critiquei a novela pela novela, mas pelo que ela poderia ajudar a reconstruir (atenção no termo ajudar) o que foi destruído por anos de massacre ideológico, que tem como resultado um povo que não conhece a sua história, não se valoriza como povo e que acredita que ser brasileiro é "sofrer" a cada 4 anos numa copa do mundo.

Tenho dito e não desisto, não tenho como "salvar", como você disse, todas as pessoas do "transe", mas com os meus alunos vou tentando, esclarecendo e usando a minha opinião sim, se não usar a minha vou usar a de quem? sua ou do Gilberto Braga? mas sempre falo para meus alunos que eles precisam aprender a criticar, mas para isso precisam primeiro aprender a pensar criticamente, se perguntando qual o benefício que aquilo que está sendo analisado pode trazer a ele (o aluno) como pessoa e à sociedade.

O que falta no Brasil é isso "Crítica construtiva"

Obrigado por responder ao texto.

Alex José de Souza

BRASILIDADES A PARTE II - SIMONE TERRA

O texto abaixo é uma resposta ao texto que eu escrevi acima - chamado de BRASILIDADES À PARTE - Alex Souza

BRASILIDADES À PARTE - PARTE II

Também na condição de educadora e jornalista, preocupa-me a capacidade de criticidade de meus alunos e leitores, respectivamente. Mas nada me deixa tão temerosa do que quando leio ou ouço alguém dizendo que deseja salvar da alienação pessoas. Coisas do tipo

“Estufo o peito e tento esclarecer meus alunos e meus leitores, numa tentativa de descontaminar suas mentes e tirá-los do "transe hipnótico" a que eles têm sido submetidos” (Alex josé de Souza, professor)

amedrontam-me, pois soam demasiado pretensioso, pois partem do pressuposto que apenas um ponto de vista em relação a alguma questão é possível; que só um ser a quem a verdade fora revelada poderá salvar o resto da população da ignorância. Guardada as devidas proporções, postura semelhante apresentam-nos, diariamente, nos cultos religiosos.

Não vi, por mais que me esforçasse, nenhuma conotação antinacionalista na fala da personagem do Lázaro Ramos, na navela das nove. Até porque, não é afirmando que o Brasil é um ótimo lugar para se viver que se desenvolve apegos patrióticos. Nem vendo novela que se desenvolve consciência crítica.

Mas estou com Voltaire, ao defender o direito à livre expressão: “Posso não concordar com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo”.

Mas haja saco para tanta pretensão emancipatória!

Simone Terra, em transe hipnótico

sexta-feira, 15 de abril de 2011

BRASILIDADES À PARTE

Na última semana consegui chegar em casa um pouco mais cedo do que costumo chegar, mesmo enfrentando o estressante trânsito da cidade dita "maravilhosa" no horário do "rush", e aproveitei para dar uma relaxada em meio as minhas muitas atividades.

Escolhi assitir um pouco do que passava na televisão aberta e fui "zapeando" entre os possíveis canais acessíveis na região de Jacarepaguá, onde com um pouco de sorte conseguimos captar os sinais de dois ou três emissoras, aí assisti uma parte de uma novela recém iniciada onde uma cientista procura fósseis de dinossauros numa fazenda no interior do Brasil, o tema, confesso, é até meio interessante se não fossem as velhas tramóias de uma vilã que gosta do mocinho que é apaixonado pela mocinha que gosta de um outro vilão que a trai com sua melhor amiga, que não se sabe se é vilã ou mocinha, daí a vilã faz de tudo para atrapalhar a felicidade da mocinha e do mocinho, coisas de novela que todo mundo já sabe o final. Nessa mesma novela existe um cientista que investe financeiramente na mocinha para conseguir seu objetivo de achar o tal dinossauro, que aliás, está enterrado na fazenda do mocinho, esse cientista, viúvo, criou um robô à imagem e semelhança de sua falecida esposa e gravou nele todas as memórias da finada, o que faz com que a bela robô fique confusa entre ser ou não ser de verdade, lembrei-me da estória do boneco Pinóquio e do velho Gepetto e do filme "Inteligência Artificial", só falta aparecer uma "fada azul" e fazer a bela bonequinha de lata virar gente, eu não ficaria surpreso se isso acontecesse.
Logo depois comecei a assistir alguns programas jornalísticos, de posse das notícias sobre a tragédia ocorrida na escola municipal em Realengo na semana anterior onde 13 adolescentes foram mortos por um fanático (religioso ou não?) e das tragédias do Japão e de outros lugares, percebi que além disso nada de mais interessante precisava ser noticiado, só estavam acontecendo tragédias ou será que a mídia se acostumou a apenas noticiar tragédias?
Continuei ali na minha raríssima oportunidade de não fazer nada e adentrei o "horário nobre" onde está no ar uma novela que possui alguns protagonistas negros, dentre eles Lázaro Ramos e Camila Pitanga, ela grávida dele, mas, segundo ela, ele é só amigo, coisa bem comum em novela global. Chegou o momento do nascimento da criança e ela foi sozinha para a maternidade, aliás, sozinha não, acompanhada de um amigo gay que deixou o namorado na festa onde eles estavam.
Nasceu a criança e até aí tudo bem, continuei assistindo, não estava fazendo nada mesmo (ver novela é o mesmo que não fazer nada, certo?), chegou o momento do papai "sem compromisso" com a mamãe ir ver a criança, nesse momento aconteceu algo que me deixou surpreso, o discurso que ele fez, como se estivesse conversando com a pobre criança, filho de mãe-solteira e de pai sem-compromisso (depois a Globo vem fazer um Globo Reporter sobre gravidez precoce, pais separados e essas coisas que ela mesma estimula em suas telenovelas, mesmo nas juvenis - vide Malhação), Preste bastante atenção ao discurso abaixo:

"... filhinho, desculpe-me por voce ter nascido num país como o Brasil... Tanto lugar para nascer e você foi nascer logo aqui... poderia ter nascido num lugar melhor, quem sabe na Noruega..."

a partir daqui eu passo a justificar o título desse artigo "BRASILIDADES À PARTE", pois um ator do porte do Lázaro Ramos que consegue um papel de destaque no horário nobre em uma novela de Gilberto Braga, como pode, tanto o escritor quanto o ator se prestarem a uma atitude como essa? considerei isso uma propaganda "subversiva" de peso anti-patriótica, ainda mais no Brasil de hoje, quando mais precisamos de pessoas que sintam orgulho de ser Brasileiros - com B maiúsculo mesmo - com B de Brio, para se sentir incomodado e brigar para mudar isso, com coragem de dizer com o peito estufado: "Sou Brasileiro e exijo respeito pelo meu País!".
Essa minha atitude justifica-se por vários motivos, primeiro porque sou um desses "Brasileiros" e depois porque sou educador e acredito que a televisão poderia ser uma excelente parceira da educação, aliás qual a reação da Fundação Roberto Marinho diante de tal atitude? Cheguei a sentir saudades dos tempos da "Ditadura Militar" onde ambos os lados, tanto os ditos "subversivos comunistas" quanto os "Defensores do Estado" eram "Brasileiros" que lutavam entre si, mas que tinham algo em comum, prezar pela liberdade de direito do Brasil. Hoje temos essa Liberdade, e o que temos feito dela no nosso Brasil?
Não podemos continuar permitindo que discursos negativos como esse e outros que denigrem a família, a igreja, a liberdade, que banalizam o sexo e os direitos continuem sendo feitos no horário nobre de uma - infelizmente - emissora das mais assistidas no Brasil.
Enquanto educador sempre me manifestarei contra, não apenas a Globo, pois a Record também anda aprontando das suas. Estufo o peito e tento esclarecer meus alunos e meus leitores, numa tentativa de descontaminar suas mentes e tirá-los do "transe hipnótico" a que eles têm sido submetidos. Talvez seja uma tentativa desesperada ou até vã, mas, Sou Professor Brasileiro e Não Desisto Nunca...


Alex José de Souza
15/04/2011